quinta-feira, 30 de abril de 2009

COMO TE CONTEMPLO!

quadro de Rossetti Ecce Ancilla Domini Annunciation


Ah! Como eu te admiro! Como te contemplo!
Tu disseste sim ao nosso Deus Senhor
Foste tu o belíssimo e sublime templo
Em que foi gerado o Filho Salvador

Quero seguir tuas frases e teu exemplo!
Eis aqui o menor servo do Redentor...
Ah! Como eu te admiro! Como te contemplo!
Minha alma engrandece ao Deus do grande amor...

Eu, que nem o amor de meus próximos tive
Descobri um amável pai chamado Deus
E que minha Mãe Santíssima em mim vive

Jesus, seguirei pra sempre os passos teus
Pela obediência, pobreza e pureza
Pra viver na mais triunfante nobreza!


Rommel Werneck


Acima, um exemplo de poesia retrô, é um poema religioso nos moldes de um soneto hendecassílabo e escrevi pensando na atmosfera penitencial e vocacional. O Concílio Vaticano II deu espaço para que a língua vernácula entrasse na missa e por isso, temos tantas músicas litúrgicas em portugês famosíssimas no meio católico, porém a literatura católica clássica permanece desconhecida por muitos sendo que temos grandes produções como as poesias de S. Patrício, S. João da Cruz, Sta Teresa d'Ávila, Padre Anchieta e até de escritores que não foram canonizados e são famosos por outras vertentes, como Alphonsus Guimaraens, Camões, Gregório de Matos entre outro, não são muito lembrados pelas obras sacras, no caso do baiano Gregório de Matos, sua poesia sacra é fascinante e estudada nas escolas, porém não creio que seja conhecida por pessoas católicas praticantes do mesmo modo comoa música, tanto a erudita ( Ave Maria Gounod/ Schubert ou canto gregoriano conventual) ou a popular mais frequentes nas missas ( Padre Zezinho/ Rosa de Saron etc).
O Êxtase de Santa Teresa de Bernini

Mesmo porque no passado com a missa tridentina, era mais comum fazer poesias sacras já que podiam ser na vernácula assim como a músicas, porém não teriam presença na liturgia. A poesia sacra tavez fora popular na vernácula nos tempos passados, assim como hoje, temos a música católica muito popular também. O que creio que sera muito prudente para a comunidade católica é que resgatasse o hábito de escrever e divulgar as poesias religiosas, ma vez que o ensino ( público e particular) está em maus lençóis e o único contato dos jovens católicos com a literatura sacra é a própria igreja e nós não queremos que esse belo contato do jovem com a lírica de sua fé só exista nos ilustres mosteiros como era na Alta Idade Média. A tradição de ler e escrever poesia sobre sua religião é um hábito de testemunho e devoção não apenas a Deus, mas também à arte.



Rommel Werneck

Minha página no Recanto das Letras




Poesias católicas de qualidade: http://senhoradapaz.sites.uol.com.br/poemas.htm
e também procurando nas obras de autores clássicos

segunda-feira, 20 de abril de 2009

MEU PASSADO

'' Abro a janela, quanta luz...'' Rinaldo Gissoni
Foto de Rommel Werneck

Algumas vezes, ponho-me à janela
Serenamente, toca-me uma luz....
Algo azul, bom ardor que me seduz!
Verdadeira lembrança meiga e bela.

Vários seres desfilam para mim.
Passam leves, sutis e evanescentes...
Cravos lívidos, mortos, displicentes
Que brotam neste meu triste jardim...

Em ti, janela, quanto medo e horror!
Quanta distância, quanta dor, maldade...
Tu te tornaste a imagem do pavor!

Por isto, quando eu vejo algum ser mágico
Que deveria ser felicidade,
Vejo o como este meu jardim é trágico!
Rommel Werneck


Vídeos no YouTube:


Meus amigos Cris Leite e Daniel MoreiraLima declamando o soneto Lua Lacrimosa
http://www.youtube.com/watch?v=0KMns33QrMw

Eu e Sandra Soares lendo o soneto Só

GRUPO RASCUNHOS POÉTICOS http://rascunhospoeticos.blogspot.com/
MINHA PÁGINA

sexta-feira, 17 de abril de 2009

DEMÔNIO ANGELICAL

Bouguereau Dante and Virgil in hell

Ah! Demônio sangrento atormentado!
Por ti, minha vil mente só suspira!
Meu corpo intensamente cai e transpira
Ah! Demônio sangrento atormentado!


Nos negros olhos: cor viva do tédio
As vestes lutuosas, pretas, góticas...
Curvas no corpo tão belas e eróticas...
Nos negros olhos: cor viva do tédio


Mas na boca, há lascívia e até pureza:
Tu me beijas com tanta força e ardor
E tu me falas coisas sobre o amor...


Com as coisas do amor casto e sublime
Não há nada no mundo que assim rime...
Ah! Lindo anjo repleto de nobreza!


Rommel Werneck




Vídeo do soneto Demônio Angelical
http://www.youtube.com/watch?v=tg04Gt5pmCM

domingo, 5 de abril de 2009

Soneto



Os braços azuis, calmos e serenos...
A face opaca, a tez cheia de neve
Num movimento lento, puro e breve
O segredo de todos os venenos!


Os olhos leves, neutros e vazios
Um corpo etéreo, pálido e celeste
O perfume presente nesta veste
A boca, objeto d'alma, toques frios...


Tudo isto constitui um sonho sensível
Repleto de reflexos e figuras...
Angelicais lembranças brandas, puras...


Alvas formas sublimes, sonhos plenos...
Vida real, verdade, algo possível...
O segredo de todos os venenos!


Rommel Werneck