domingo, 10 de maio de 2009

ARQUITETURA

Em janeiro de 2008, fiz dois cursos na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, célebre biblioteca temática em poesia aqui na capital paulista. Naquela época estava já com uma pasta registrada na BN, Lua Lacrimosa foi minha primeira pasta de poesias. Eram dois cursos: Poesia ao rés da rua (Donizete Galvão) e Condensar o poema (Vina Teixeira). Os dois cursos foram muito bons mas falemos sobre a poesia urbna abordada no curso do professeor e escritor Donizete Galvão. Uma poesia bem diferente da produzida e propagada neste nosso blog, mas reslvi escrever um poema urbano mesmo assim, porém seria um poema urbano que tivesse um ar retrô.


ARQUITETURA




Antigamente,
Imponentes pilares e colunas sustentavam
as casas dos deuses,
a república,
o césar,
o império imponente e pagão.







Medievalmente,
miraculosos vitrais,
gárgulas,
rosáceas,
torres,
arcos ogivais
sustentavam a cruz onipotente.





Atualmente,
vidros espelhados,
altas torres,
elevadores mantêm
onipresentes, oniscientes e onipotentes
os arranha-céus mitológicos e góticos
e a cúpula da nação.

Rommel Werneck

No poema acima, cada estrofe recorda a relação entre a arquitetura e o poder. A primeira estrofe focaliza a Antiguidade e a segunda nos revela a Idade Média, tudo isto de acordo com a relação arquitetônica. Mas na última estrofe temos algo mais surpreendente, três estilos se encontram e entende-se que os arranha-céus conseguem ser modernos sem perder o poder, é o mesmo poder de sempre, confirmado pela expressão "mitológicos e góticos".Também utilizei as três virtudes divinas (onipresença, onisciência e onipotência) para mostrar como os edifícios empresariais são vistos como templos, divindades e ainda como controladores do poder ideológico. O poema termina com a expressão "cúpula da nação", aqui cúpula não está no sentido de abóboda como aquela clásisica da Basílica de S. Pedro e sim uma metáfora de topo, elevação. As grandes empresas mantêm o progresso.


Um comentário:

Eduardo Ribeiro disse...

Excelente a transição mantendo o mesmo tema, perfeito.