sábado, 9 de janeiro de 2010

Amor Obscuro


 
 
 
Minha carruagem corre no escuro
A lua alumia essa estrada turva
Plátio, meu servo, semblante puro
Atento com seu gládio em cada curva
Pulcro, tão fiel e confiável

Os cocheiros se apressam
Correr é preciso, o tempo urge inabalável
Não podemos esmorecer agora
"E tampouco depois, minha senhora"

Sua palavras lembram minha coroação
Rainha vim a ser por coação
Meu reinado por um amor
Meu amor por uma paixão

Devota sou de coração
Mas farta estou desta condição
Meus vestidos de seda, minhas jóias raras
Minhas aias, minhas anáguas caras
Meu reinado por um amor
Meu amor por uma paixão

Daria minha coroa de ouro gelado
Por uma ardente paixão
Todo o meu vasto reinado
Por um pouco de ardor
Toda essa servil multidão
Por um único amor


Mas não tenho mais opção
Não há mais escolha, nem há mais tempo
Meus sonhos são o que são
Sementes ressequidas, perdidas ao vento

CLÁUDIA BANEGAS

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