terça-feira, 27 de abril de 2010

ABYSSUS




                           
 Créditos. Da esq. à dir.:1- Pandore, par Jules Joseph Lefebvre, 1882, collection privée       2- O Nascimento de Vênus (recorte), de Bouguereau 3- ''Adam and Eva'' of '''Friedrich''' Maler '''Muller'''

ABYSSUS

 

Bela e traidora! Beijas e assassinas...
Quem te vê não tem forças que te oponha:
Ama-te, e dorme no teu seio, e sonha,
E, quando acorda, acorda feito em ruínas...


Seduzes, e convidas, e fascinas,
como o abismo que, pérfido, a medonha
Fauce apresenta flórida e risonha,
Tapetada de rosas e boninas.


O viajor, vendo as flores, fatigado
Foge o sol, e, deixando a estrada poenta,
Avança incauto... Súbito, esbroando,

Falta-lhe o solo aos pés: recua e corre,
Vacila e griata, luta e se ensangüenta,
E rola, e tomba, e se despedaça, e morre...


Olavo Bilac, 1865-1918

Um comentário:

Febo Vitoriano disse...

Não é um soneto dele conhecidíssimo. Mas já li em livros didáticos. Gosto muito.