sexta-feira, 13 de agosto de 2010

CELESTE, extraído do Tratado de Versificação de Bilac e Passos

Degoix,_Celestino_(floruit_1860-1890)_-_Donna_con_velo_


CELESTE


É tão divina a angelica apparencia
E a graça que illumina o rosto d’ella,
Que eu concebera o typo da innocencia
Nessa criança immaculada e bella.

Peregrina do céo, pallida estrella,
Exilada da etherea transparencia,
Sua origem não póde ser aquella
Da nossa triste e misera existência.

Tem a celeste e ingênua formosura
E a luminosa auréola sacrosanta
De uma visão do céo, candida e pura;

E, quando os olhos para o céo levanta,
Inundados da mystica doçura,
Nem parece mulher, — parece santa.


ADELINO FONTOURA.

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