sexta-feira, 17 de setembro de 2010

CAGED HEART









Imagem retirada de clique aqui





Caged Heart


The heart beats in its gilded cage, the fool
that cannot break the bounds of its own bars.
It cannot bend this iron strapping cruel
that keeps it under lock and key, its scars
less noticeable to the passerby,
less obvious to lovers who would fly.


My heart's a bird that can't escape its perch
but tends it with compulsive diligence
that coddles as it cradles every lurch
and does its best to feather indigence.


An egg of robin blue's my small bound heart
that aches to smash its shell, release its song.
My heart hums silent dirges, hymns apart
from any hope of transcending for long.


MARCY JARVIS



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Poema escrito em inglês por nossa leitora e escritora estadunidense Marcy Jarvis, do site AllPoetry. 

Old Poetry        AllPoetry




quinta-feira, 16 de setembro de 2010

TRIUNFAI, REDENTOR




TRIUNFAI, REDENTOR!


Ave, Cristo ascendendo ao grande céu!
Ave adorada neste movimento,
Vós que viveis no Santo Sacramento,
Adornado sejais de manto e véu.


Triunfai, Redentor, ó na Ascensão!
Cordeiro sacrossanto imaculado
Triunfai, Redentor, ó Coração!
Homem das Dores, ó crucificado!



Nebulosa de cores e de brilho,
Eis o elixir do Rei, sangue de amor,
Manjar supremo, carne que nos salva!


Triunfai, Redentor ó belo Filho!
Sois a água mais eterna, a luz mais alva!
Triunfai, Triunfai, ó Redentor! 



ROMMEL WERNECK

domingo, 12 de setembro de 2010

"E do teu ventre nasceriam deuses..."





Caríssimos, desde que li este soneto fiquei revoltado por nunca ter ouvido falar do autor nem no colégio e nem na faculdade. 


Agripino Grieco disse que todo brasileiro deveria saber de cor o soneto abaixo. Se o povo prefere ficar decorando poesias curtinhas só porque exprimem a tal concisão de vanguardinhas, fazer o quê? 

O soneto abaixo é um belo exemplo de concisão e esplendor artístico.





ARGILA


Nascemos um para o outro, dessa argila
De que são feitas as criaturas raras;
Tens legendas pagãs nas carnes claras
E eu tenho a alma dos faunos na pupila...


Às belezas heróicas te comparas
E em mim a luz olímpica cintila, 
Gritam em nós todas as nobres taras
Daquela Grécia esplêndida e tranquila...


É tanta a glória que nos encaminha
Em nosso amor de seleção, profundo,
Que (ouço ao longe o oráculo de Elêusis)


Se um dia eu fosse teu e fosses minha, 
O nosso amor conceberia um mundo
E do teu ventre nasceriam deuses...


Raul de Leôni

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O BORDADO CRUEL




O Bordado Cruel



Quando era noite, atrás daquela porta, 
junto a uma vela duas velhas riam 
Matando aos poucos uma aranha torta.


E a alegria que elas dividiam
Poucos tiveram já no mundo um dia,
Mas os que a achavam sempre a bendiziam.


Cheia de medo, a criatura fria
Dançava horrível rente de uma chama
Que lentamente o corpo lhe roía,


E as velhas rindo a observar da cama 
Iam falando sobre de que modo
Com dor mais lenta um corpo vil se inflama.


Espécie estranha de um vivente lodo,
Sendo corcunda e só com sete pernas
A aranha uivava por seu corpo todo


Que se expandia em inchações externas
Causando às velhas, com o vermelho horrendo
Do seu ardor, as sensações mais ternas...


Emocionadas, com as mãos tremendo,
Vieram então com um bando de alfinetes
Que em cada pata foram se prendendo,


E a aranha presa de mil cacoetes
Foi só os espinhos de uma prata ardente 
Que a recobria em infernais coletes.


E nesta arte foram indo em frente,
Depois agulhas, e um perfume ardido,
E ao fim de tudo uma tesoura ingente,


Até que o fogo e o animal vencido
Murcharam juntos sobre a mesa irada
Em mil pedaços de um negror transido,


E ambas as velhas, conhecendo o nada,
Com face imensa devoraram tudo
Que lhes restava da fatal jornada.


Enquanto, a olhá-las, um retrato mudo
De seu marido ia chorando as dores
Que o recobriam no ancestral escudo,


E todo o chão ia se abrindo em flores
E uma criança, que ninguém notara,
Pela janela olhava sem temores


E ia crescendo, e de uma forma rara,
Enquanto as velhas, enxugando as portas,
Varriam tétricas, na noite clara,


Todo o amargor das profecias mortas!



Alexei Bueno