quarta-feira, 24 de novembro de 2010

MOACIR DE ALMEIDA



Moacir de Almeida


Patrono da cadeira nº 40 da Academia Belo-Horizontina de Letras, segundo Júlio Pinto Gualberto em seu O Gênio Poético de Moacir de Almeida, nasceu Moacir de Almeida no dia 22 de abril de 1902, tendo falecido em 30 de abril de 1925, muito jovem, como se pode notar. Gênio de qualidade singular teve pelo poeta parnasiano Alberto de Oliveira incluso um soneto seu em “Os cem melhores sonetos brasileiros”, tendo constada sua lira em muitas outras antologias. Louvado foi de Agripino Grieco à Catulo da Paixão Cearense, que lhe dedicou versos à beira do túmulo. Assim descreveu-o Agripino Grieco, que privou do contato íntimo com o poeta:

“Pensando em Moacir de Almeida, revejo-o qual tantos anos o vi, com seu ar de eterno convalescente. Talvez houvesse nêle certa inaptidão para a felicidade. Recitando, tinha a voz meio rouca, mas a beleza das cousas que ele celebrava conseguia embelezá-lo, e êle que era magro, comprido, deselegante, sem saúde, sem graça pessoal, sem eloqüência na conversação, transfigurava e prendia quem quer que o ouvisse. Sua face lanhada, torturada, de zigomas salientes, como que se iluminava à irradiação verbal de seu sonho. Ele que, palestrando, pouco entusiasmo patenteava pela vida e às vêzes confessava ter mêdo de tudo e ver tudo envolto na luz de um dia de eclipse, enriquecia-se, ao dizer versos, de mil tesouros ignorados.”

Diz Pádua de Almeida em Algumas Palavras da edição Poesias Completas de Moacir de Almeida, sem data, editora Zélio Valverde, “Moacir está para a amplitude poética naquilo que Augusto dos Anjos está para a profundidade”. Eis os dois sonetos que selecionamos para o querido leitor, mostrando as nuances entre os dois universos em que poeta  gravitava: a dor e o sonho.

***

IX

ESTRÊLA PERDIDA

Em meu olhar, meu coração maldito
Olhava-a; muda e ardente, triste e ardente,
A estrêla de ouro, dolorosamente,
Estendia-me os braços do Infinito.

Mas o sol abatia-me o vôo no poente,
Eu – o amante da estrêla – ávido e aflito,
Erguia os olhos para o azul bendito,
Erguendo os braços para o azul fulgente.

Mas, ai!Nas sombras, a adorada estrêla
Perdeu-se... E nunca mais tornei a vê-la
No coração da noite, a lampejar.

Hoje, torno a encontrá-la – quem diria! –
A iluminar minha aflição doentia
Dentro da noite azul do teu olhar...

In Soluços do Deserto

***

XVIII

NÔMADE

Triste e exhausto, arrastei-me por sombrias
Terras de angústia, aos astros a às tormentas,
Tendo nos olhos as visões violentas
De crucificações e de agonias.

Vales da morte, solidões nevoentas
Do tédio, abismos de paixões doentias,
Enchi de sangue; e fiz, das pedras frias,
Britar estrêlas em caudais sangrentas...

Nômade das paixões desesperadas,
Enchi de sonho todas as estradas
E o amor que todos têm – visão serena,

Que a vida de outros faz florir em chama, –
Só pude ouví-lo em bocas de gangrena,
Só pude tê-lo em corações de lama...

In Gritos Bárbaros

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

PARA QUEM AINDA NÃO ENTENDEU A SERVENTIA DOS VERSOS ISOMÉTRICOS, EIS AQUI NÃO UM EXEMPLO, MAS O EXEMPLO!!!





A VALSA


A. M.


Tu, ontem,
Na dança
Que cansa,
Voavas
Co'as faces
Em rosas
Formosas
De vivo,
Lascivo
Carmim.
Na valsa
Tão falsa,
Corrias
Fugias,
Ardente,
Contente,
Tranqüila
Serena,
Sem pena
De mim!


Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
- Não negues,
Não mintas...
- Eu vi!...


Valsavas:
- Teus belos
Cabelos,
Já soltos,
Revoltos,
Saltavam,
Voavam,
Brincavam
No colo
Que é meu;
E os olhos
Escuros
Tão puros
Perjuros
Volvias,
Tremias,
Sorrias
Pra outro
Não eu!


Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco senti!
Quem dera
Que sintas!...
- Não negues,
não mintas...
- Eu vi!...


Meu Deus
Eras bela,
Donzela,
Valsando,
Sorrindo,
Fugindo,
Qual silfo
Risonho
Que em sonho
Nos vem!
Mas esse
Sorriso
Tão liso
Que tinhas
Nos lábios
De rosa,
Formosa,
Tu davas,
Mandavas
A quem?!


Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
- Não negues,
Não mintas...
- Eu vi!...


Calado,
Sozinho,
Mesquinho,
Em zelos
Ardendo,
Eu vi-te
Correndo
Tão falsa
Na valsa
Veloz!
Eu triste
Vi tudo!
Mas mudo
Não tive
Nas galas
Das salas,
Nem falas,
Nem cantos,
Nem prantos
Nem voz!


Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
- Não negues
não mintas...
- Eu vi!...


Na valsa
Cansaste;
Ficaste
Prostrada,
Turbada!
Pensavas,
Cismavas,
E estavas
Tão pálida
Então,
Qual pálida
Rosa
Mimosa,
No vale
Do vento
Cruento
Batida,
Caída
Sem vida
No chão!


Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
- Não negues,
não mintas...
- Eu vi!...


Casimiro de Abreu




domingo, 14 de novembro de 2010

ILUSTRE PLÊIADE




Basta acessar a nova guia do blog e ver a surpresa. 


Como sempre, fica tudo mais bonitinho na hora de postar do que no resultado. Tenho problemas com formatação no blogspot, mas aos poucos vamos ajeitando. Infelizmente, listamos somente alguns membros da equipe, ainda estamos aguardando respostas e biografias. No entanto, os leitores já podem saborear. Deixem comentários aqui sobre o que precisamos mudar quanto à formatação.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

POESIA SOCIAL EM VERSOS LIVRES COM RIMAS





 BEM-VINDO AO MUNDO DAS ARTES CÊNICAS!




Bem-vindo ao mundo das Artes Cênicas!
Atrás do sólido pancake uma voz fala
Mais uma fria personagem se exala




Bem-vindo ao mundo das Artes Cênicas!
Não te surpreendas com um sorriso,
Pois nada aqui é de improviso




Bem-vindo ao mundo das Artes Cênicas!
Repara nos figurinos otários!
Viva em todos os cenários!



Bem-vindo ao mundo das Artes Cênicas!
Cuidado! Cuidado com a sonoplastia
Ébria sereia sem luxo e fantasia



Bem-vindo ao mundo das Artes Cênicas!
Lembra-te que há a plateia
Enquanto encenas majestosamente



Mas oh! Num relance de emoção
Sem querer algo ocorre...
O pancake borra e escorre.



Rommel Werneck
Publicado no Recanto das Letras em 10/11/2010
Código do texto: T2606959