terça-feira, 28 de dezembro de 2010

LUZ SEM LUZ


LUX SINE LUCE
 
 

Ah! Luz libidinosa que irradia
E atormenta por ser inacessível.
Este meu sonho tão puro e impossível
É a mais amarga e doce fantasia!


Esta imagem divina e inesquecível,
Pesadelo terrível, poesia...
A beleza na luz sem luz horrível,
Eis a perfeita dor: quanta agonia!


Esta luz! Esta noite! Esta tristeza!
Tudo isto me levando a uma paixão,
Pois desde que vi esta luz beleza


Nunca mais conheci a vida, a razão!
Luz sem luz, impureza da impureza,
Esta luz que se chama escuridão!


Rommel Werneck 

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

FELIZ DIA DOS PAIS! kkkk





É isso aí, Paizão! Corta o filho! CORTA!
hahaha




A ÁRVORE DA SERRA


— As árvores, meu filho, não têm alma!
E esta árvore me serve de empecilho...
É preciso cortá-la, pois, meu filho,
Para que eu tenha uma velhice calma!


— Meu pai, por que sua ira não se acalma?!
Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!
Deus pos almas nos cedros... no junquilho...
Esta árvore, meu pai, possui minh'alma! ...


— Disse — e ajoelhou-se, numa rogativa:
«Não mate a árvore, pai, para que eu viva!»
E quando a árvore, olhando a pátria serra,


Caiu aos golpes do machado bronco,
O moço triste se abraçou com o tronco
E nunca mais se levantou da terra!

AUGUSTO DOS ANJOS

domingo, 12 de dezembro de 2010

A PRINCESA DOS POETAS



MAHABARATA



Abre esse grande poema onde a imaginativa
De Vyasa, num fragor ecoante de cascata,
Tantas façanhas conta, e dessa estrênua e diva
Progênie de Pandu tantas glórias relata!



Ora Kansa, a suprema encarnação do Siva,
Ora os suaves perfis de Krichna e de Virata
Perpassam, como heróis, numa onda reversiva,
Nas estrofes caudais do grande Mahabarata.



Olha este incêndio e pasma; aspecto belo e triste!
Caminha agora a passo este deserto areoso...
Por cima o céu imenso onde palpitam sóis...



Corre tudo, ofegante, e, finalmente, assiste
À ascensão de Iudhishthira ao suarga luminoso
E à apoteose final dos últimos heróis.



FRANCISCA JÚLIA


imagem retirada da Wikipédia e editada por mim 

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

DA COSTA E SILVA


 
Verônica

 

O sangue que ilumina o pensamento,
Em forma eterna a vida reproduz;
Assim, a imagem do meu pensamento
Se não em sangue, há de gravar-se em luz.

Então, vereis ao vivo refletida,
Entre uma auréola de esplendor cristão,
A sombra interior da minha vida
A projetar-se do meu coração...

Sob esse aspecto místico e profundo,
Terei a transparência do cristal,
Ampliando a visão múltipla do mundo
Para uma vida sobrenatural.

E o que tenho de humano e de divino
Ante olhares profanos hei de expor,
Nas ascensões e quedas do destino,
Que foram meu Calvário e meu Tabor.

Mas, cauteloso, o espírito tristonho,
Ocultando seu trágico avatar
Sob a névoa translúcida do sonho,
Há de ser como a espuma sobre o mar.

E a luz, que vibra em iris no meu canto,
Revelará, talvez, sem eu querer,
Aos vossos olhos lúcidos de espanto
A beleza intangível do meu ser.
Da Costa e Silva




Paradise Lost

 

Por que me trouxe aqui o meu destino?
Por que de tão longe vim me prender por encanto
A Essa a quem tanto quis, a Essa que me quis tanto,
Que, unidos pela fé, vivemos para o amor?


Por que o lar que se fez, com o divino favor,
Na feliz comunhão de um afeto tão santo,
Num momento fatal de dúvida e de espanto,
A morte vem encher de saudade e de dor?


Por que, se eu tenho fé, se vem fazer, no entanto,
Tua vontade, em vão, contra a minha, Senhor,
Que, resignado e bom, já hei sofrido tanto?


Assim, a interrogar minha esfinge interior,
Ergo ao longínquo azul os meus olhos em pranto,
Ó meu último bem! ó meu único amor!


Da Costa e Silva 

 


Biografia


Antônio Francisco da Costa e Silva nasceu em Amarante, no Piauí, em 29 de novembro de 1885. Formou-se pela Faculdade do Direito do Recife. Foi funcionário do Ministério da Fazenda, tendo ocupado os cargos de Delegado do Tesouro no Maranhão, no Amazonas, no Rio Grande do Sul e em São Paulo. Viveu não só na capitais desses estados, mas também, por mais de uma vez, em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro. Jornalista. Recolheu-se ao silêncio, demente, em 1933. Faleceu em 29 de junho de 1950.

Publicou os seguintes livros de poemas:
Sangue (1908), Zodíaco (1917), Verhaeren (1917), Pandora (1919) e Verônica (1927). Organizou ele próprio uma Antologia de seus versos, cuja primeira edição é de 1934. Posteriormente saíram mais duas edições; a última em 1982. De suas Poesias Completas publicaram-se três edições: em 1950, 1975 e 1985.


Extraído do Jornal da Poesia

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

LUTO


Minha foto com o escritor em 2004 na Academia de Letras da Grande São Paulo,
em São Caetano do Sul numa das várias tardes de quarta-feira em que me encontrava com seu presidente fundador patra as aulas.




EM LUTO pelo falecimento do gigante



RINALDO GISSONI
Fundador da Academia de Letras da Grande São Paulo


Requiescat in pace






RINALDO GISSONI






Nasceu em 15 de abril de 1916, em São Paulo, capital. Faleceu em 06 de novembro de 2010 em Santo André, São Paulo, aos 94 anos.
Casou-se com Antonieta A. Puttini Gissoni com quem viveu por 67 anos. Teve com ela cinco filhos: Maria Guaraciaba Gissoni Fenicio, Maria Guaraciema Gissoni Beber, Mário Ubirajara Gissoni, Rinaldo Ubiratan Gissoni e Celso Irapuan Gissoni. Oito netos e quatro bisnetos.


Médico Veterinário, Farmacêutico e Advogado, mas, antes de tudo, romancista, contista e poeta, enfim, um literato.


Ainda estudante, em Pouso Alegre onde morava, já demonstrando sua paixão pelas letras, fundou, os periódicos O Futurista – de caráter literário e O Veterinário – de caráter científico, e o Centro Literário Joaquim Queiroz Filho.


Durante a segunda guerra mundial, foi convocado como Oficial, para o serviço ativo do Exército, quando prestou serviços na então Zona de Guerra Nordeste-Este, recebendo, pela sua cooperação ao esforço de guerra do Brasil, a Medalha e Diploma de Guerra.


Regressando à vida civil, ingressou no Ministério da Agricultura, sendo locado em Joaçaba, Santa Catarina, como Inspetor Federal na Área Sanitária onde fundou, com Raul Pereira, o Joaçaba Jornal.


Em l952, foi transferido para exercer a Inspeção Federal na região do ABC, onde, a bem da verdade, começou a Clínica Veterinária.
Em Agosto de 1981, depois de diversas tentativas frustradas, fundou, em São Bernardo do Campo - SP, com o apoio do Dr. Walker da Costa Barbosa e outros literatos do ABC, a Academia de Letras da Grande São Paulo, que em l988 foi transferida para São Caetano do Sul-SP. Ali obteve a sua sede oficial, hoje, instalada no Complexo Educacional Fundamental da Cidade, onde atende àqueles que têm interesse pela Literatura. A Entidade foi considerada de “utilidade pública” pelo Decreto nº 767/91 de 03-04-1991. Rinaldo Gissoni foi seu Presidente por vinte e seis anos.


Sua Obra é extensa e consiste de muitas poesias e crônicas publicadas em diversos jornais do País. Tem, também, trabalhos de pesquisa de fundo técnico-científico no campo da Medicina Veterinária. Autor de várias obras, muitas ainda inéditas, já dentro da Nova Ortografia entre elas, a reedição de “Os Mistérios da Montanha” (com novos contos), Poesias (ainda sem título), “O Teatro do Efêmero” – peças teatrais, prontos para publicação. “Memórias sem Retoque” – inacabado e Poesias (ainda sem título).






Obras publicadas:




DIMENSÕES HUMANAS –contos – 1976
BRUMAS – poemas - l981
PEDESTAL INACABADO – romance – l983
OS MISTÉRIOS DA MONTANHA – contos – 1989
O ENÍGMA ROSÂNGELA – romance - l993
IRISAÇÕES FINAIS – poesia – 2000
BRAÇOS ABERTOS – romance – 2003
O ELEMENTO RAM – policial – 2007
ALÉM DAS TREVAS – contos – 2009 – a ser lançado in memorium




Biografia por Maria Guaraciaba Gissoni Fenicio








quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

INDRISO EM DECASSÍLABO HEROICO


Caspar David Friedrich
Tetschener Altar, Gesamtansicht, Szene: Das Kreuz im Gebirge
Óleo sobre Tela (1807) 



PLENO DE ESPLENDOR



"O grito que ora prendo é só por ti..."
Ronaldo Rhusso


Grita a Cruz as virtudes esquecidas
Gotejando fulgores, uns matizes
Que invadem minhas lúgubres feridas...


Há sacrossantas flamas que, em deslizes,
Encantam-me num êxtase de vidas
Dando alvuras aos sonhos infelizes


E penso que és tão pleno de esplendor


Porque o cedes a todos com amor!


Rommel Werneck



Escrito no fórum Descanso das Letras