domingo, 25 de dezembro de 2011

Inspiração 40's: músicas de fossa + 2a geração do Modernismo





Cary Grant & Katherine Hepburn Phila Story 1940
National Archive Photo by Hoch Hollywood Collection




O OUTRO


Oh! Não, não fales d’outro em minha frente,
Porque ainda sou teu terno marido.
Piedade, mulher, do corrompido
Coração que te prostra eternamente.


Todos sabem que sou homem perdido
E que tu amas outro intensamente!
Todos falam ó sempre e de repente,
Falam sobre mim, o homem esquecido!


Não olhes o outro estando tu comigo!
É que quero banhar-me em ilusão!
Faz de conta que eu deito-me contigo,


Mas não fujo das coisas como são!
Eu relembro somente o tempo antigo:
Sacramento d’amor sem traição!


Rommel Werneck

1941

sábado, 19 de novembro de 2011

"És a mesma aurora augusta adormecida"






FLORESTA NEGRA


Hendecassílabo à Nilza Azzi, 5ª, 7ª e 11ª


 “-Toque esse fuso, Aurora! Toque-o!”


És a mesma aurora augusta adormecida
Naquela floresta em volta do castelo
Sangue glacial manténs no dedo belo
Mácula infeliz deixando-te perdida

Amor e supremo medo: eis o duelo!
Cintila em mim uma lava corrompida
Pelas águas desta vida indefinida:
Morrer sem teu beijo, sempre ser donzelo!

E após enfrentar malévolos dragões
Gelo em calor na estrada: sensações...
Vasto mar de rosas, fúlgido horizonte...

Beijando a lascívia minha pura fronte
Naquela floresta, negro alvorecer,
Nos teus braços é que quero adormecer


Rommel  Werneck
 

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

NUNCA MAIS DESPERTAR!






NUNCA MAIS DESPERTAR!




Oh! Volta, volta, meu sublime sonho!
Quero ficar somente aqui dormindo
Contemplando meu anjo puro e lindo
No momento mais lânguido e risonho!


Este êxtase perfeito, um gosto infindo...
Perdê-lo? Não, eu não quero, eu me oponho!
Eu bem sei que o momento mais medonho
É levantar ao Sol sobressaindo.


Eu descobri que a vida quer me ver,
Mostrar sua verdade só de dor
E a angélica criança me esconder...

Eu prefiro os meus sonhos ao luar!
E se for p’ra deixar o doce amor,
Então, nunca mais, não mais despertar!


Rommel  Werneck

Enviado por Rommel Werneck em 02/11/2011
Código do texto: T3312149 




Leia minha estreia na prosa no blog Goticus Eternus! 
Deixem comentários em meu conto


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

INDRISO EM 14 SÍLABAS

Pedro Américo 
A Noite e os Gênios do Estudo e do Amor



NIX


“A noite clareia os olhos do cego”
Hilton Valeriano


Ô, Noite, Noite, uma deusa na eterna primavera
Sorvendo em lágrimas sonhos passados sem destino
Veludo negro voando sem tempo, sem espera


Que cede a glória a período doce e matutino
Ah! Dia, Dia que a vida do Sol canta e venera
Teatro rubro de lúcido fogo cristalino


Porém ao filho soturno da Mãe Melancolia


É sempre Noite suprema, jamais chega a ser dia



Rommel Werneck 


Encaminhado para a Antologia Internacional

terça-feira, 25 de outubro de 2011

NO FIM DA NOITE




NO FIM DA NOITE

               Good night!


No fim da noite, escorre a maquiagem,
O perfume desliza e perde o brilho,
O príncipe revela-se selvagem,
E à casa volta o pródigo e bom filho.

O meu castelo volta a ser miragem,
Transforma-se a madrinha em maltrapilho,
Desaparece a minha carruagem
E resta escura a estrada que bem trilho.


No fim da noite, a Lua desfalece...
A vida vai perdendo a florescência...
A morte vai virando mulher bela...


E parte tão veloz a Cinderela,
Embalsamada em tanta consciência,
Que nem mesmo os sapatos ela esquece!


Rommel  Werneck

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Ao Soneto



E, como singular polichinelo,
Ondula, ondeia, curioso e belo,
O soneto, nas formas caprichosas.
As rimas dão-lhe a púrpura vetusta
E, na mais rara procissão augusta,
Surge o sonho das almas dolorosas...
Cruz e Sousa


Componho meu soneto em terna lira,
Tecendo seus encantos pra você.
Quatorze versos, leve casimira
Escritos em moldura de buquê.

Amor é o substrato que me inspira
Estrofes como tramas de crochê
Talhadas sob o sulco da safira,
Buscando a perfeição que não se crê.

As rimas arranjadas pelas linhas,
Sonoro jogo em notas musicais,
Estâncias cultivadas nas tardinhas,

Ouvindo o louco canto dos pardais
Bem quando na janela tão sozinha
Meu peito vou cosendo em tantos ais!


[Alessa B.]

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

INDRISO EM HENDECASSÍLABOS 5a e 11a





CAI O PANO



Desçam as cortinas vis do meu teatro!
Os tecidos pobres que infestam meu ser!
Abandonem suas frisas e lugares!


Acabou mais uma cena minha, partam!
Tudo terminou, melhor, foi quase tudo!
Eu quero beber feliz, mas solitário...


Sozinho chorando essas horas finais


Enquanto se rasga o velho véu do templo...



Rommel   Werneck 


Encaminhado para a Antologia Internacional de Indrisos

terça-feira, 11 de outubro de 2011

TERZA RIMA III






TERZA  RIMA III


"Quero que me faça outro poema imediatamente"

M.P



Marmorizado nas cores mescladas
Nas curvas vagas, no entanto vibrantes,
Nas linhas priscas, mas não terminadas...



Devo tornar  os traçados brilhantes
Encero, raspo resíduos, aliso
Limpo, lapido os sutis diamantes.


Isto os mortais denominam de piso
Eu fico aqui só beijando o chão
Pois passará com seu lindo sorriso.
O meu senhor em real procissão

Rommel   Werneck

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

INDRISO DE RELEITURA SÉC XVI

 

Título: Portrait of a Florentine Nobleman
 Autor: Francesco Salviati (1510–1563)






 A BOA MORTE


A M.P.


--- Quem passa por aqui? --– A Boa Morte
--- Por que boa se matas? --- Não, não mato
--- Que vieste fazer? --- Queimar-te todo


--- Como queimas? --- Com tua permissão
--- Depois fazes quê? --- Levo-te daqui
--- Levas-me aonde? --- Levo-te ao inferno


Isto, chamamos nós de Boa Morte,


Pois não nos mata, só conduz ao fogo...


Rommel   Werneck

04 de outubro de 1554 

(OFF: pra usar com aquela roupinha da foto do meu facebook!)



Notas do autor:


Inicialmente, queria fazer uma releitura deste soneto ilustre de Camões, mantendo a forma fixa italiana, mas mudando o tema para amor. Com o andar da liteira (carruagem é muito séc XIX!), preferi uma forma fixa atual, o indriso é o poema mais contemporâneo que existe, portanto, meu plano foi criar algo ultramoderno mas com fortíssimo retorno ao Maneirismo. Que anacronismo!


A métrica adotada foi o decassílabo com doses de pentâmetro iâmbico em alguns versos para ser mais fiel ao período histórico. Em contraponto, versos brancos para o anacronismo já comentado e também focalizar o ritmo nas perguntas, no conteúdo mesmo além de servir de exemplo de versos isométricos, mas sem rima. 
Infelizmente, muitos poetas contemporâneos acreditam em divisões estabelecidas, por exemplo, "versos com métrica (sic) tem que ter rima ou versos (sem métrica) não podem ter rima". Isto nos leva a um reducionismo, uma restrição do que pode ou não fazer, sendo que precisamos buscar conhecer as várias alternativas possíveis, por exemplo, versos livres rimados, decassílabos sem rima, heterométricos rimados e brancos etc etc. Obviamente, a temática e outros aspectos também precisam se libertar desse puritanismo do Modernismo.

domingo, 2 de outubro de 2011

TERZA RIMA II





John Singer Sargent (1856-1925) -
Young man in reverie



TERZA RIMA II


A M.P.


Se podes me trazer o horrendo luto
No eterno sofrimento desta vida
Como deve ser bom morder o fruto!


Se deixas uma vítima ferida
Por teu rancor e  sede de vingança
Quanta glória em sentir alma perdida!


Se iludes os teus homens de esperança
Fazendo sempre vis promessas vagas
Melhor o inferno me enfiar a lança


Se a beleza do mundo tu apagas
Por ofuscares tudo em teu aroma
É porque tu és uma das dez pragas


Se a tua ira a todos nós assoma
Em maldições de guerras tão supremas
Como te quero, lúbrica Sodoma!


Se rejeitas meus versos. Se blasfemas,
Se descrês no destino, em nossa sorte,
Se duvidas das flamas mais extremas,



Quisera então poder beijar-te forte!
Como queria estar nos braços teus!
Como queria deste amor a morte!
Como queria neste céu ser Deus!


Rommel   Werneck 




P.S: 
Gostaria da opinião crítica dos leitores. Eu fiz em decassílabos e oscilei um pouco entre o dec. her. e o dec. sáfico sendo esta última métrica predominante no final. Eu fiz com certa pressa a pedido do mecenas e foi dificultoso.