domingo, 22 de maio de 2011

BELLE ÉPOQUE - Antero de Quental




MAIS LUZ!

(A Guilherme de Azevedo)


Amem a noite os magros crapulosos,
E os que sonham com virgens impossiveis,
E os que inclinam, mudos e impassiveis,
Á borda dos abysmos silenciosos...


Tu, lua, com teus raios vaporosos,

Cobre-os, tapa-os e torna-os insensiveis,
Tanto aos vicios crueis e inextinguiveis,
Como aos longos cuidados dolorosos!


Eu amarei a santa madrugada,

E o meio-dia, em vida refervendo,
E a tarde rumorosa e repousada.


Viva e trabalhe em plena luz: depois,

Seja-me dado ainda ver, morrendo,
O claro sol, amigo dos heroes!


Antero de Quental

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