domingo, 29 de maio de 2011

SEM RUMO - AZEVEDO CRUZ

SEM RUMO

Nesta barquinha audaz e temerária,
que a fantasia nômade carrega
pelos mares em fora, entregue à vária
sorte, a minhalma célebre navega.

Ferra o velame a viração contrária...
As brancas velas túmidas desprega;
e acompanhada pela procelária
foge, no azul, completamente cega.

Corta do mar a superfície vasta;
o vento agita o seu velame rôto,
e em convulsões no pélago se arrasta.

Mas vai por diante a gôndola veleira...
e, enquanto o teu amor for meu piloto,
a melhor vida é a vida aventureira.

1892

João Antonio de AZEVEDO CRUZ - Poeta Simbolista - nasceu em Campos a 22.07.1870. Era neto de escravos. Bacharel em Direito, foi Secretário de Estado do Rio de Janeiro e Chefe de Polícia, além de jornalista e exímio orador. Faleceu em Nova Friburgo, em 22.01.1905. Retirado do livro: Sonho, Poesias escolhidas, Coeditora Brasilica, Rio de Janeiro, 1943. (Pág. 35) - Soneto da Primeira parte do livro: I - versos da adolescência.

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