quarta-feira, 5 de outubro de 2011

INDRISO DE RELEITURA SÉC XVI

 

Título: Portrait of a Florentine Nobleman
 Autor: Francesco Salviati (1510–1563)






 A BOA MORTE


A M.P.


--- Quem passa por aqui? --– A Boa Morte
--- Por que boa se matas? --- Não, não mato
--- Que vieste fazer? --- Queimar-te todo


--- Como queimas? --- Com tua permissão
--- Depois fazes quê? --- Levo-te daqui
--- Levas-me aonde? --- Levo-te ao inferno


Isto, chamamos nós de Boa Morte,


Pois não nos mata, só conduz ao fogo...


Rommel   Werneck

04 de outubro de 1554 

(OFF: pra usar com aquela roupinha da foto do meu facebook!)



Notas do autor:


Inicialmente, queria fazer uma releitura deste soneto ilustre de Camões, mantendo a forma fixa italiana, mas mudando o tema para amor. Com o andar da liteira (carruagem é muito séc XIX!), preferi uma forma fixa atual, o indriso é o poema mais contemporâneo que existe, portanto, meu plano foi criar algo ultramoderno mas com fortíssimo retorno ao Maneirismo. Que anacronismo!


A métrica adotada foi o decassílabo com doses de pentâmetro iâmbico em alguns versos para ser mais fiel ao período histórico. Em contraponto, versos brancos para o anacronismo já comentado e também focalizar o ritmo nas perguntas, no conteúdo mesmo além de servir de exemplo de versos isométricos, mas sem rima. 
Infelizmente, muitos poetas contemporâneos acreditam em divisões estabelecidas, por exemplo, "versos com métrica (sic) tem que ter rima ou versos (sem métrica) não podem ter rima". Isto nos leva a um reducionismo, uma restrição do que pode ou não fazer, sendo que precisamos buscar conhecer as várias alternativas possíveis, por exemplo, versos livres rimados, decassílabos sem rima, heterométricos rimados e brancos etc etc. Obviamente, a temática e outros aspectos também precisam se libertar desse puritanismo do Modernismo.

6 comentários:

Non je ne regrette rien: Ediney Santana disse...

esse foi um dos melhores blogs que encontei este ano, um presente antecipado de natal

Febo Vitoriano disse...

Poxa vida, muito obrigado. Fico honrado

Gabriel Rübinger disse...

Certamente trilhamos um caminho melhor se não nos deixarmos levar pelo "reducionismo" que você mesmo citou. Com esse novo leque, as possibilidades poéticas são muito mais interessantes. A releitura ficou ótima, pois, na medida em que se inspira no texto de Camões, se desvia um pouco, toma outro rumo, mais inesperado. Eu adorei!

Goticus Eternus disse...

Sempre conduz com apreço cara, tecnica e sincronismo,enfim antes de tudo isso escreve com o coração parabens sempre!!

Febo Vitoriano disse...

Gente, fico muito agradecido...

Edir Pina de Barros disse...

De tato, uma obra prima!