quinta-feira, 10 de maio de 2012

ANJO ADORMECIDO



"Adeus! Assim de ti afastado,
Cada laço estreito a perder,
O coração só e murcho e seco,
Mais que isto mal posso morrer."
(Lord Byron)

Sob o esplendor eternífluo da Lua,
Numa floresta soturna e ciméria,
Por entre flores, na noite sidérea,
Estavas tu, a sonhar, seminua.

A tua face, branquíssima, nua,
Alumiada p'la Lua cinérea,
Linda, encantava minh'alma funérea,
Com a beleza luctífera tua.

Num terno frio que a pele conforta,
Fitava tua brancura de morta...
Como uma estrela, dormias, tão nédia!

Agora, choro, entre langues soluços,
E ante o cadáver teu caio de bruços,
Triste e admirado p'la bela tragédia!

(versos decassílabos, ritmo gaita galega)

Um comentário:

Innocencio do Nascimento e Silva Neto disse...

Encantado não só por reler esta obra prima, mais também por conhecer tantos outros grandes poetas. Terei grande orgulho quando, já no fim de minha vida e saudoso desses tempos, poder dizer que vi toda essa riqueza literária nascendo, vivenciando uma nova corrente literária, mesmo não fazendo parte dela, acredito que grande será o deleite de poder lembrar-me de todo esse início. Chegará um tempo, caro Renan e os demais poetas deste site, que vocês serão matéria de escola... Os clássicos agora cantam lá no céu estes novos versos...!!!!!