segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Pálida Donzela




Pálida Donzela

Oh! Pálida donzela, amo-te tanto!
Esmaece junto ao tétrico chorar
A tristura que jaz em meu olhar,
Quando contemplo teu eterno encanto!

Dissipaste-me o gélido quebranto,
Que por muito habitara como lar
Uma alma que assaz não pudera amar,
Vivendo sempre imersa em triste pranto...

Sonho contigo, e que tenho tua vênia
Para beijar-te a bela face branca,
E sentir o amor que mi'a dor arranca;

Sinto que és a flor duma velha nênia,
Que me surgiste na alva solidão,
Pra de amor preencher-me o coração!

Renan Tempest

Fúnebre Amor





Fúnebre Amor

Belo fim para quem morre a amar muito.
Pierre de Ronsard

Se é tudo negro e vazio
De que vale perdurar
Num viver destarte frio
Sem ninguém para me amar?

E se nesta noite bela,
Enlevante em resplendor,
Não há sorrisos, donzela,
Nem os teus beijos de amor.

Ah! se pudesses lembrar
Nossa prístina ventura,
Se tu pudesses me amar
Como me amaste, tão pura...

Recordo-me de ti morta,
Da languidez nos teus olhos;
Nada na vida conforta
O chorar dos meus refolhos;

Triste musa, inda te sinto,
Tal qual um profundo corte,
Amo-te tanto e não minto:
Quero-te! mesmo na morte!

Não tenho nada a perder,
Não tenho nada... ninguém...
Tudo o que anelo é morrer,
Mas a morte, ela não vem...

Por que sou tão desgraçado?
Mancebo louco, poeta
Que sofreu por ter amado...
Chora, ora, o amor que o asseta!

Vez última, beijar-te-ei
O rosto pálido e pulcro;
Após isso dormirei
Para sempre em teu sepulcro!

Renan tempest