quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Desventura





Desventura

Brilham no céu as estrelas da morte,
Volvo os olhos lôbregos para a Lua,
Percebo-a
prantear a triste sorte
De minha dor tão sua...

Ó Lua, resplende em meu coração
Como nas noites de outrora fizeste!
Passemos nossa última solidão
Com teu brilho celeste!...

Não me lamentes o vago padecer
P'lo entristecer de tal negro destino
Nem chores meu derradeiro planger
Qual um triste violino!...

Choremos as flores mortas das trevas,
Bebamos vinho entre gélidas cruzes...
Oh! eu morro, ó Lua, enquanto te elevas
E no escuro reluzes...

Já sinto a Morte fria e taciturna
Fitando-me a lânguida palidez.
Ceifa-me a alma, ó bela visão nocturna!
Leva-me de uma vez!

Renan Tempest

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