quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Devaneio




E eu acordei... que delírio!
Eu sonho findo o martírio
E acordo pregado à cruz!
Álvares de Azevedo

Devaneio

Ora desperto tristonho...
Que sonho tive! Que sonho!...
Sonhei que tu me sorrias
Numa noite fria e escura,
Sorrias deveras pura
Por entre campas sombrias...

Juntos em um cemitério,
Teu olhar doce e cimério
Me enlevava o coração;
Tua inefável beleza,
Ornada em sutil tristeza
Alumbrava a escuridão.

Oh! donzela, meu amor,
Eras a mais linda flor
Daquele negro jardim,
Tinhas o brilho da Lua
No palor da pele tua
E na alma um amor sem fim;

O meu coração gelado,
Era, aos poucos, aquentado
Por teus suspirosos beijos,
Beijos ardentes de amor...
Ah! e com morrente langor
Fazias os teus gracejos!

Cada vez que te beijava,
Minha face se descorava;
À cada sorriso teu,
Chorava lágrimas frias
E relembrava agonias
Que se iam do peito meu...

Mas sempre que te tocava,
Tua sombra se fastava;
Isso até que percebi
Que fora apenas um sonho
Pra tornar-me mais tristonho,
Pois jamais terei a ti!...

Renan Tempest

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