terça-feira, 30 de julho de 2013

Vale das Sombras


("Floresta de Fontainebleau", de Théodore Rosseau)

Vale das Sombras

Quisera sonhar de novo,
E nesse instante morrer!
Maria Browne


À meia-noite, em silêncio eternal,
Fitei, na Treva, um venusto jardim;
Corri, sofrêgo, para vê-lo, e enfim,
Aproximei-me de um velho rosal.

O jardim era um vale magistral,
Mas as flores estavam em seu fim,
Parecendo chorar tão-só por mim,
Murchas e com perfume sepulcral.

Então, senti uma melancolia,
E afoguei-me em devaneios tristonhos,
Sem entender aquilo que sentia.

Logo vi, em segundos enfadonhos:
Meu coração era o vale que eu via
E as flores meus doces e antigos sonhos!

Renan Tempest

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Antologia Relicário na Bienal do Rio

A antologia Relicário estará disponível para venda no estande da PerSe na XVI Bienal do Livro Rio, que acontecerá de 29 de Agosto a 8 de Setembro no Rio Centro.

Para mais informações sobre a Bienal: http://www.bienaldolivro.com.br/

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A antologia Relicário pode ser obtida pelo link: http://www.perse.com.br/novoprojetoperse/WF2_BookDetails.aspx?filesFolder=N1373133566378

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Página no facebook: https://www.facebook.com/antologiarelicario




quinta-feira, 4 de julho de 2013

Tristeza byroniana



Tristeza byroniana

Alas! I have nor hope nor wealth,
Nor peace within nor calm around...
Percy Bysshe Shelley


Ah, solene donzela, hei de morrer...
Mas não é por ti, não é!
Se morro é por angústia de viver,
E por, em nada ter fé!

Não consigo escrever mais nada... nada
Além destes pobres versos!
Perdoa-me a alma errante e contristada
De sonhos em pranto imersos...

Oh! esta melancolia, atroz, persiste...
Sem parar minh'alma chora...
Ó céus, que culpa tenho se sou triste,
Como Byron foi outrora?!

Vinho, Shakespeare, versos, Natureza...
Ah, não me encanta mais nada!
Não vejo luz, apenas escureza,
Numa solidão que enfada...

Sou malfadado como um vampiro,
Em minha eterna tristeza!
Nem o teu Amor finda o meu suspiro
P'la morte e sua beleza...

Ah, se eu pudesse, em vida inda amar-te-ia
A cada tempo que escorre,
Mas há muito jaz morta mi'a alegria,
E o meu Amor também morre...

E se morre o Amor, dize-me: o que resta?
Oh! nada além de um vazio!
Tudo se esvai em 'scuridão funesta,
Como lágrimas num rio!...

Renan Tempest