quinta-feira, 4 de julho de 2013

Tristeza byroniana



Tristeza byroniana

Alas! I have nor hope nor wealth,
Nor peace within nor calm around...
Percy Bysshe Shelley


Ah, solene donzela, hei de morrer...
Mas não é por ti, não é!
Se morro é por angústia de viver,
E por, em nada ter fé!

Não consigo escrever mais nada... nada
Além destes pobres versos!
Perdoa-me a alma errante e contristada
De sonhos em pranto imersos...

Oh! esta melancolia, atroz, persiste...
Sem parar minh'alma chora...
Ó céus, que culpa tenho se sou triste,
Como Byron foi outrora?!

Vinho, Shakespeare, versos, Natureza...
Ah, não me encanta mais nada!
Não vejo luz, apenas escureza,
Numa solidão que enfada...

Sou malfadado como um vampiro,
Em minha eterna tristeza!
Nem o teu Amor finda o meu suspiro
P'la morte e sua beleza...

Ah, se eu pudesse, em vida inda amar-te-ia
A cada tempo que escorre,
Mas há muito jaz morta mi'a alegria,
E o meu Amor também morre...

E se morre o Amor, dize-me: o que resta?
Oh! nada além de um vazio!
Tudo se esvai em 'scuridão funesta,
Como lágrimas num rio!...

Renan Tempest

2 comentários:

andressa disse...

Lindo.

Marco Rocca disse...

Versos de envergadura colossalmente bela! Amigo Renan, tens a maestria dos simbolistas... Aplausos!!!