terça-feira, 30 de julho de 2013

Vale das Sombras


("Floresta de Fontainebleau", de Théodore Rosseau)

Vale das Sombras

Quisera sonhar de novo,
E nesse instante morrer!
Maria Browne


À meia-noite, em silêncio eternal,
Fitei, na Treva, um venusto jardim;
Corri, sofrêgo, para vê-lo, e enfim,
Aproximei-me de um velho rosal.

O jardim era um vale magistral,
Mas as flores estavam em seu fim,
Parecendo chorar tão-só por mim,
Murchas e com perfume sepulcral.

Então, senti uma melancolia,
E afoguei-me em devaneios tristonhos,
Sem entender aquilo que sentia.

Logo vi, em segundos enfadonhos:
Meu coração era o vale que eu via
E as flores meus doces e antigos sonhos!

Renan Tempest

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