quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Musa da Melancolia

(A Lua, de Tarsila do Amaral)


Musa da Melancolia


Ó Lua triste, pálida e sombria,
Amo-te! mas no inverno amo-te mais!
És mais bela nas noites invernais,
Ó doce musa da melancolia!

Contemplo-te da necrópole fria,
Sobre os velhos jazigos sepulcrais,
Entre o ecoar dos silenciosos ais,
Na obscura solidão do fim do dia!

Co'a minha solitária e negra lira,
Canto-te a dor p'la qual mi'alma suspira;
Tu és, para mim, o estro mais sublime!

E em meio a tanto spleen e vã tristura,
Teu fulgor evanescente é a cura
Para a eterna amargura que me oprime!

Renan Tempest

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