sábado, 2 de maio de 2015

HOMOSSEXUALIDADE E DIREITA

Yukio Mishima por Mark Richfield


Quando digo que sou homossexual e de Direita, sofro dois preconceitos: um à direita e outro à esquerda. Extremistas de direita assustam-se com minha presença e se surpreendem quando abro a boca.  Eu noto um silêncio enorme, eles não sabem o que dizer, as pessoas parecem perder a voz quando falo, não só quando comento sobre política, mas também quando defendo uma estética tradicional e revivalista, desconhecida por essas pessoas. Como se defender valores, boa conduta social e regras clássicas de convivência fossem uma exclusividade de uma direita tradicional da Filosofia e Política. Às vezes, parece até que existe um dresscode de coxinha fashion. Muitas dessas pessoas ignoram que o primeiro político a criticar o extremismo islâmico e seus avanços no Ocidente foi Pim Fortuyin* cujo assassinado não é considerado um crime de homofobia. E este fato já serve como um ponto de partida juntamente com o ataque que sofri.

Há alguns meses** no facebook fui obrigado a ler o comentário mais homofóbico e segregador que já li em vida: 




      Esse comentário em turquesa veio de um homem que gostava muito e conhecia há anos, por isso fiquei tão chateado e acho impossível voltar a olhá-lo como homem e não como formiga orquestrada pelo PT. É incrível o como a esquerda brasileira usa todas as armas para defender o PT, inclusive do preconceito. Eu compartilhei uma montagem que mostra as reais ideias dos dois políticos acima sobre redução da maioridade penal e, consequentemente, a punição de graves crimes como violência contra a mulher e gays. Segundo o militante acima, por eu ser homossexual e compartilhar tal post, sendo contra bandidos, eu deveria ser espancado por Bolsonaro. Essa é a esquerda brasileira! A esquerda que prefere o gay do lado azul apanhando do que livre.

      O preconceito das esquerdas é o que realmente me incomoda. “Nossa, você é de Direita?” “Nossa, você, defensor de valores?” O espanto, na verdade, é meu. Afinal, fala-se isso como se ser homossexual fosse sinônimo de ser maloqueiro, como se ser gay significasse aceitar toda a decadência moral, cultural e política de nossa sociedade com tranquilidade. A esquerda tem a mentalidade que, sendo homossexualidade vivenciada por uma minoria e por existir preconceito, esta minoria gay deveria estar unida à minoria de pessoas que defendem os bandidos, como se uma lésbica, por exemplo, não pudesse ser uma cidadã decente na sociedade e,  para ser reconhecida, precisasse estar unida ao MST, aos black blocs e esses outros movimentos claramente terroristas. Ainda que haja divergências na sociedade sobre comportamento sexual, não é possível que uma delicada questão de foro íntimo decida se devo ou não apoiar medidas políticas. Isto não pode ser suficiente para separar tanto os gays de heterossexuais como fazem os partidos e movimentos vermelhos.

      A política vermelha brasileira tem desfavorecido a minoria sexual. O sempre recorrente assunto da violência contra gays é o principal ponto. O desarmamento forçado que estamos vivendo impossibilita de nos defender da violência de intolerantes. Desarmar a população civil é uma campanha contra as armas e não contra a violência. As pessoas acham fofo e açucarado dizer-se favorável ao mundo de paz perfeita e inexistente e contra a homofobia. Contudo, há coisas que não podem estar no mesmo raciocínio: não há como defender bandidos, “vítimas da sociedade”, desarmamento, impunidade e manter a integridade de um homossexual. É uma questão de lógica: não se pode defender a vítima e o agressor ao mesmo tempo!  Se uma transexual matar um agressor, ela deverá ser presa por ter matado uma vítima da sociedade?. O culpado pelo crime é o criminoso e não uma “sociedade machista-patriarcal-cristã etc” como querem nos enfiar goela abaixo. Durante o governo Dilma, os movimentos de lucros sociais só reforçaram o preconceito contra a vítima em detrimento de um bandido que também é considerado vítima repassando esse peso para o restante da sociedade, uma verdadeira teatralização de casos sensíveis de estupro e homofobia.  Então, defende-se uma “educação contra o preconceito”, mas esquece-se que o criminoso é um criminoso, não é uma pessoa que precisa “aprender a conviver com a pluralidade sexual blábláblá”, é uma pessoa que cometeu um crime. Criminosos devem ser punidos pela ESCOLHA que fizeram. Porque lançar uma lâmpada fluorescente na cabeça de alguém não é uma questão de falta de educação e sim de escolha, de crime. Basta escrever Pink Pistols no google e verificar que, sim, o Brasil realmente é uma terra atrasada***.

     Nenhum grupo no país, hoje, detesta mais os gays do que o PT. Como já disse, a esquerda acredita na tese de que os gays devem ser aliados da agenda de esquerda. Quando um homossexual não segue essa risca ele é o tempo todo ameaçado, chantageado, humilhado com afirmações claramente nocivas como “depois, apanha de skin head e não sabe o porquê”, “o dia que apanhar vai aprender a lutar por direitos”, “que ingrato! Se não fosse pelo PT não poderia nem andar de mãos dadas com o namorado!”. Quem não se lembra da clássica frase da Miss Tributo Marta Suplicy: “É casado? Tem filhos?” insinuando um modelo não tradicional de vida do seu adversário Gilberto Kassab?







      Pune-se gravemente quem se posiciona contra a prática homossexual, o que é um atentado aos direitos individuais e ao direito de pensamento. Se um gay desejar viver em castidade e se opor à sexualidade, ele deverá ser preso por isso? Se um homossexual condenar a promiscuidade, ele também será preso por esses projetos de leis da esquerda? A agenda comunista é incompatível com a vivência privada da atração pelo mesmo sexo. Quando se diz que todos os gays deveriam “sair do armário” mais uma escolha individual é roubada. As pessoas têm o direito de se assumirem ou não. Elas têm o direito de pensar em viver como for mais conveniente. Elas devem ter liberdade ao contrário da sempre defendida Venezuela onde militares gays não podem se assumir. Aos que publicamente assumem sua orientação, há a Palestina, terra santíssima que ama os gays, há o ISIS, há o trabalho de médicos escravos de Cuba, há a parada gay com o dinheiro público. Parece levarem isso muito mais em consideração do que a violência contra gays. A própria questão do “casamento igualitário”, que não é um direito e sim um contrato, encontra-se no grande problema de o casamento civil estar nas mãos do Estado que, no Brasil, possui poderes quase ilimitados. Quase tudo está nas mãos do Estado. E os próprios equipamentos educacionais e culturais do Estado fazem apologia ao marxismo cultural. Como é sabido, os comunistas perseguiram severamente os gays nos desastrosos regimes de Cuba, Camboja, URSS etc. Na Ilha da Fantasia de Fidel Castro, vítimas de AIDS eram isoladas forçadamente enquanto a Princesa Perpétua de Gales, Diana, segurava as mãos de vítimas de AIDS. Ainda na idolatrada ilha dos Castros havia (olha só!) centros de reversão e as coisas não estão muito diferentes lá. E por que houve uma perseguição em massa aos homossexuais? Posso estar errado, mas eu acredito em dois pontos. 

      Dois homens não reproduzem. Essa é uma realidade que sempre foi problema para o comunismo. Acredito que foi um problema porque o regime sempre teve muitos entusiastas e poucos adeptos. E qual a diferença entre entusiastas e adeptos? Entusiastas sempre foram escritores, cantores, professores, intelectuais e artistas em geral que defendiam (e defendem ainda hoje) a esquerda, Cuba, a utópica distribuição igual de riquezas etc. Esses defensores eram e são entusiastas. Chico Buarque e José de Abreu são entusiastas! Eles nunca fixariam residência em Cuba porque sabem que o padrão de vida cubana é inadequado para o que eles vivem ostentando no Brasil. Esses são os entusiastas, defendem o movimento vermelho, mas não vivem e nem morrem por ele. Ser esquerdista tornou-se fútil, algo elegante no meio intelectual, uma forma de status e de poder, como, por exemplo, confere status a alguém frequentar baladas caras. Ser professor ou desenvolver qualquer outra atividade intelectual pública e ser comunista é “lutar por direitos”, “combater a desigualdade social” e outros discursos que, aos ignorantes, enobrecem a pessoa, é uma tática que lhe concede boa reputação.

     Mas o restante de pessoas do comunismo é constituído por adeptos, isto é, são os que vivem nos países comunistas, trabalham para o Estado, para o Partido Comunista, que realmente acreditam na causa e condenam a propriedade privada. E havia as pessoas que já viviam na Rússia e não tinham como se opor fortemente ao regime. Sendo assim, com tão poucos adeptos e tantas população para governar, doutrinar e dominar ou mesmo para lutar contra o regime (sabemos que uma das causas da queda do comunismo no leste europeu foi o popular movimento Primavera de Praga), não poderia haver espaço para homens que não se reproduzem. Era necessário que os adeptos ao regime e a população se reproduzissem para que, nascidas e educadas naquela realidade, as crianças crescessem achando tudo muito natural. Não haveria, penso eu, espaço para quem não reproduzisse. 

    O segundo ponto é que a homossexualidade era considerada pelos comunistas um “vício da burguesia” e precisava ser combatida. E por que isso? Direitos individuais sempre foram invadidos pela esquerda. Porque que o capitalismo foi o maior programa de promoção social de gays. Explico. O sistema possibilitou a ascensão de homossexuais de um modo que a delicada questão sexual fosse suavizada ou colocada de lado. A busca por prosperidade une-se à busca por liberdade, inclusive a afetiva. Por exemplo, um rapaz desprezado pela família e por sua comunidade (por exemplo aquelas favelas da Regina Casé) que faz um desenho de roupa, possui um talento.... esse rapaz consegue um emprego, estuda ou monta um salão de beleza, um ateliê, um estabelecimento, passa num concurso e ganha dinheiro, enfim, ele obtém um jeito de ser reconhecido por sua profissão e ter sua sexualidade posta num outro plano, numa nova concepção/ nível de tolerância. O preconceito jamais será superado integralmente na sociedade, todos possuem preconceitos e ideias erradas fundamentadas antes de conhecer direito alguém. Então, se alguém consegue produzir, realizar algo útil, artístico, cultural, econômico ou simplesmente interessante, é possível sim que esse alguém gay consiga mais destaque, reconhecimento e boa reputação por seu mérito. Pode-se contra argumentar que ninguém deve ser valorizado pelo que possui, mas pelo que é. Mas isso é um grande absurdo tendo em vista que ninguém deve ter orgulho do que fazem uma cama e sim pelos valores materiais e imateriais que vem adquirindo durante a vida. É o capitalismo que possibilita estilistas, escritores, professores e outros profissionais não estarem num Esquenta da vida e sim em suas confortáveis propriedades privadas. 

    E é justamente esse perfil de homem “do amor que não ousa dizer o nome” que o PT e seus aliados mais tratam com desdém, submissão e escravidão. Para os vermelhos, a mulher, o negro e o gay só poderão ter um lugar na sociedade se estiverem em seus movimentos.  O homossexual só interessa se ele estiver na esquerda. Se ele for um empresário rico, um intelectual de Direita ou mesmo um cidadão sem grande atividade política, ele é “machista” e “opressor” e deve ser veementemente combatido. Não se pode falar de direitos coletivos e falar em homossexualidade que é um estado essencialmente individual. Muitos neste país são mais atacados por causa de seu posicionamento contra a base governista dominante do que por preconceito sexual. “A menor minoria na Terra é o indivíduo. Aqueles que negam os direitos individuais não podem se dizer defensores das minorias.” Ayn Rand. Quando se nasce em uma sociedade preconceituosa e tão coletiva, ser decente e individual é uma forma de superação.

Rommel Werneck 

NOTAS:

* Pim Fortuyin: político neerlandês homossexual assassinado em 2002 por um ativista da esquerda ecológica.

** A publicação aconteceu há meses e gerou sim sofrimento e medo em mim. Mas somente agora me senti confortável em publicar meu texto

*** Pink Pistols Seattle: ONG que defende a legítima defesa


2 comentários:

Marie disse...

Febo,
Coragem! Ser gay de direita é ser um cara esclarecido e inteligente. Fogo baixo de petista/esquerdista é assim mesmo, rasteiro e covarde!
Queria que todos os Gays de esquerda vissem com sua clareza o quanto são usados para o próprio mal deles!
Parabéns pelo texto claro e rico!

Gibrail Caon disse...

Rommel Werneck! Te parabenizo!

Conheço homossexuais esquerdistas e estes deveriam ler teu artigo. Isto abriria seus olhos, sobre quão manipulados são pela petralhada!
Lembrei-me da trans Talita Oliveira que precisou gravar um vídeo no YouTube, sendo ameaçada por militantes de esquerda por dizer a verdade sobre esses canalhas. Que mais gente como tu surja! Uma força a mais contra esta seite vermelha que vem arrasando o país há uma década e meia.
Abraço!